O grupo dos grandes estabilizadores chamado glúteos

 
 
 

Muitas vezes no Pilates ouvimos a frase: “não sabia que este músculo existia”. É um comentário mais frequente quando a pessoa que faz o comentário aponta para  a região glútea e é do gênero masculino. Sabemos que o fortalecimento dos glúteos é muito associado a estética, mas sua função vai muito além. É exatamente sobre a importância dos glúteos que vamos falar neste post. 

SOBRE OS GLÚTEOS

Os glúteos são divididos em três músculos: 

  • Glúteo máximo: é o maior, mais superficial e tem função primária na extensão do quadril e também é um importante rotador lateral.
  • Glúteo médio: importante abdutor com 60% da área de corte transverso total dos abdutores, suas fibras anteriores realizam rotação medial e as fibras posteriores rotação lateral.
  • Glúteo mínimo: é o mais profundo, todas as fibras realizam abdução e as fibras anteriores rotação medial e flexão.

Estes músculos apresentam grande importância na estabilização do quadril, joelho e lombar. 

Glúteos máximo, médio e mínimo

Glúteos máximo, médio e mínimo

GLÚTEOS FRACOS E COMO IDENTIFICAR

A fraqueza desta musculatura gera o que chamamos de trendelenburg positivo (ver imagem). 

Trendelemburg

Trendelemburg

Um dos testes que utilizamos é solicitar que o aluno ou paciente fique em apoio unipodal, os músculos abdutores do quadril, principalmente o glúteo médio, produzem a maior parte das forças de compressão do quadril e, para manter o equilíbrio unipodal, o glúteo médio deve realizar uma força três vezes maior que a do peso corpóreo e não consegue fazê-lo sozinho. Neste caso, é preciso fortalecer o complexo póstero-lateral do quadril que compreende toda a  musculatura extensora, abdutora e rotadora lateral do quadril, para assim manter o equilíbrio do corpo.

POSSÍVEIS SINTOMAS DOS GLÚTEOS FRACOS

Com os glúteos mais enfraquecidos, nota-se um desequilíbrio corporal e a seguinte sequência:

  1. Momento Varo
  2. Momento de escoliose transitória (compensação com inclinação do tronco contra-lateral)
  3. Valgo do Joelho com queda da pelve contra-lateral.

O teste para avaliar um valgo dinâmico é o stepdown test. Na imagem, esta queda contralateral da pelve leva à alteração da postura com assimetrias no corpo gerando sobrecarga nas regiões do joelho (valgo), pé (eversão), quadril (rotação interna e adução) e lombar. Há ainda a possibilidade de desenvolver dor por contraturas, desvios e rotações adquiridas para a compensação da postura.

Step Down Test

Step Down Test

O GLÚTEO E A POSTURA

O glúteo máximo também atua intensamente na manutenção do tronco ereto. Na posição ortostática (em pé), a extensão completa do quadril é de extrema importância para o alinhamento dos segmentos corporais desta região. Contudo, esta posição de extensão completa pode ser impedida por uma contratura dos flexores do quadril que, conseqüentemente, adquire-se com a posição sentada por um longo tempo e, também, com a fraqueza generalizada dos extensores do quadril.

PILATES COMO MÉTODO PARA TRABALHAR O GLÚTEO E O CORPO TODO

O Pilates é importantíssimo para conhecermos o nosso corpo trabalhando os princípios da respiração, concentração, controle, fluidez, precisão e centro (Power House). Lembramos que, neste último, trabalhamos os músculos responsáveis pela sustentação da nossa coluna, para gerar estabilização do tronco e alinhamento biomecânico do corpo. Os músculos do Power House são: o abdômen (reto abdominal, oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do abdômen), assoalho pélvico, eretores profundos da coluna, flexores e extensores do quadril. 

Ativação dos músculos  glúteo máximo em um dos principais exercícios do Pilates: a ponte.

Ativação dos músculos  glúteo máximo em um dos principais exercícios do Pilates: a ponte.

 

Portanto, os glúteos vão muito além da estética, eles estão nos principais estabilizadores do corpo e responsáveis por manter um equilíbrio e alinhamento corporal, prevenindo e auxiliando na melhora das dores. 

Vamos continuar treinando muito os glúteos e sempre deixá-los nos lembrar que existem.

Referências

  1. Nemman, D. A. Cinesiologia do aparelhomusculoesquelético- Rio de Janeiro: Elsevier, 2011
  2. Powers, C. M. The influence of abnormal hip mechanics on knee injury: A biomechanical perspective. Journal of orthopaedic e sports physical therapy, 2010; 42-49

Dra. Glória Maria Gonçalves Ortega, Fisioterapeuta (CREFITO 3/219575-F) e Esp. Fisiot. Musc-Esqueletica (FCMSC-SP).