Pilates na dor cervical

 

Diariamente recebo em nosso estúdio Global Pilates alunos com queixas de dores na região cervical, aquela região próxima ao pescoço e que chega aos ombros. Isso mesmo! Aquela que você sempre pede uma massagem e que, quando dolorida, tira seu bom humor durante ou no final do dia.  Sabe-se que atualmente grande parte da população sente dores na região cervical e muitos são os fatores que predominam para o aumento destes índices. 

E, se você pensou que o incômodo da cervical era uma exclusividade sua, bem... Você não está sozinho! A dor cervical é considerada comum e afeta cerca de 70% dos indivíduos em algum momento de suas vidas. Dados epidemiológicos internacionais indicam que no período de um ano a dor cervical varia entre 17% e 75% com uma prevalência média de aproximadamente 40%. Depois da lombalgia, a cervicalgia é considerada, em todo o mundo, como a causa mais frequente de consultas médicas e os índices de afastamento do trabalho são semelhantes.

 

FATORES QUE CONTRIBUEM PARA A DOR CERVICAL

Vários fatores tendem a contribuir para o surgimento desta síndrome, incluindo alterações na postura. Alguns estudos têm demonstrado que os pacientes com dor cervical apresentam várias disfunções motoras como inibição da ativação dos músculos flexores cervicais profundos, sendo este considerado um dos fatores para a recorrência e cronicidade da dor cervical, aumento da ativação dos músculos flexores cervicais superficiais, disfunção escapular e respiratória. Portanto, antes de prescrever um programa de exercícios para alunos que apresentam este sintoma, é necessária uma análise postural, estática e dinâmica, para melhor adaptação e instrução dos exercícios utilizados do repertório.

 

AS ALTERNATIVAS DO PILATES PARA O TRATAMENTO

Pilates têm sido amplamente utilizado para melhorar condicionamento físico e reabilitação em geral, sendo comumente prescrito para pacientes com dor lombar crônica. Em relação à dor cervical, foi encontrado na literatura somente um estudo piloto envolvendo a sua utilização no solo para tratamento destes pacientes. Existe uma constante busca por intervenções que possam contribuir no tratamento desta síndrome, no entanto, é importante ressaltar que o método Pilates é pouco estudado no contexto científico nestes pacientes. 

O método Pilates possui um repertório amplo de exercícios, é fundamental que os mesmos sejam adaptados de acordo com a necessidade individual do praticante. Ao prescrever um programa de exercícios de Pilates para alunos com dor cervical, devemos levar em consideração os sintomas de dor, as adaptações precisam ser realizadas, evitando desta forma possíveis efeitos adversos. Sinais clínicos como limitações de movimentos da coluna cervical e torácica superior, dores de cabeça e dor irradiada para membros superiores devem ser levados em consideração ao elaborar o programa de exercícios.   

O instrutor pode selecionar os exercícios básicos com maior auxílio das molas, promovendo mais assistência durante a execução dos exercícios, principalmente nos movimentos de flexão da coluna vertebral, onde é fundamental que ocorra uma flexão craniocervical para garantir a estabilidade, uma vez que pacientes com sintomas de dor cervical apresentam um déficit nos músculos que estabilizam este segmento. A coordenação da flexão craniocervical pode ser adquirida através do princípio de posicionamento da cabeça e da coluna cervical, o “aceno”, utilizado no método Pilates nos exercícios de preparação do abdômen e nado peito. 

Recentemente, Dimitriads et al. (2013), encontraram evidências de que a função respiratória de pacientes com dor cervical crônica é afetada devido à fraqueza respiratória destes indivíduos, sendo assim, a avaliação do padrão respiratório nos pacientes com dor cervical pode contribuir na seleção dos exercícios, especificamente exercícios que enfatizam a mobilidade da coluna vertebral. 

Os exercícios de mobilidade e estabilização escapulotorácica como, por exemplo: Série de costas no Reformer, Puxada do latíssimo no Trapézio e inclusive exercícios em cadeia fechada como o Quadrúpede e o Elefante, podem auxiliar na estabilização cervical e precisam ser explorados no protocolo.

 

SUGESTÕES DE COMO MENSURAR A EFICÁCIA DO TRATAMENTO

Uma maneira bem simples é utilizar instrumentos de avaliação confiáveis e validados na literatura como, por exemplo, a escala visual analógica (EVA) e o questionário de autorrelato Neck Disability Index. Estes instrumentos são sensíveis e confiáveis na avaliação do paciente, pois descrevem o impacto da dor cervical nas atividades diárias. A experiência subjetiva do paciente é fundamental para analisar os resultados de uma intervenção. 

Estas avaliações podem ser realizadas periodicamente e, com certeza irão fornecer dados importantes para auxiliá-lo na progressão dos exercícios.

Em breve espero dividir com vocês os resultados positivos do meu projeto de mestrado envolvendo a utilização do Método Pilates nos pacientes com dor cervical crônica, onde foi observado benefícios em relação à melhora da dor, função e aspectos relacionados à qualidade de vida nestes pacientes.

Até a próxima!